Private Post Update: My Cat

domingo, 27 de abril de 2014


O meu gato nasceu a 1 de Abril de 2002 e foi encontrado na rua quando eu vinha da escola com os meus amigos. Nunca tinha tido um animal de estimação e sempre que pedinchava um aos meus pais pensava sempre num cão. Nunca pensei ter um gato, nem era bem minha intenção ter um, mas este cruzou-se no meu caminho e foi amor à primeira vista. Era recém-nascido e tinha sido abandonado, ainda não via e precisava de ser alimentado por biberão. Ainda me lembro do meu pai (que sempre foi contra a adopção do gato, mas lá acabou por ceder) dizer que ele não sobreviveria, mas não podia estar mais enganado. Com alguma dedicação (preparar o biberão de 3 em 3 horas e mantê-lo quente) e amor lá sobreviveu e cresceu forte e saudável.

Até há um mês, na altura que fez 12 anos. Ao inicio comecei a reparar que andava a comer menos e a emagrecer, mas como sempre foi um gato de comer pouco não achei muito alarmante. Contudo, uma semana depois tinha parado de comer completamente e pensei que pudesse estar com a gripe felina e comecei a tratá-lo para isso e a obrigá-lo a tomar vitaminas, mas nada resultou durante essa semana. Então lá me decidi a levá-lo ao veterinário. Não o tinha feito antes porque ele detestava ir ao veterinário e assanhava-se como se estivesse a ser esfolado vivo e não era nada agradável e para poupar stress ao gato chamava a veterinária a casa para lhe dar vacinas, mas desta vez era preciso um exame mais rigoroso e não podia ser feito em casa, por isso lá fui eu.

Sempre pensei, na minha ingenuidade, que não seria nada de grave até a Veterinária me dizer que tinha de me preparar para o pior porque o meu gato, muito provavelmente, estava com PIF. Foi a primeira vez que ouvi falar desta doença felina e desejava nunca ter ouvido. Basicamente, o PIF ou peritonite infecciosa felina é uma doença viral que afecta os vasos sanguíneos do gato e não tem cura. Existem duas modalidades deste vírus: a chamada PIF húmida e a PIF seca (para saberem mais vejam a explicação aqui). 


Esta é a forma mais grave da doença, em que  muitos vasos sanguíneos são gravemente danificados e há acúmulo de líquido no abdómen e no tórax. Quandos os vasos sanguíneos do abdómen são afectados, a barriga do gato incha devido à acumulação de líquido (ascite). Quando são afectados os vasos sanguíneos do tórax, dá-se uma acumulação de líquido no peito, que impede os pulmões de se expandir e dificultam a respiração do gato.



 É a forma mais crónica da doença. O gato normalmente tem sintomas vagos, tais como falta de apetite, perda de peso, pelagem com pouco brilho. Muitos gatos com PIF seca tornam-se ictéricos. Quando se olha para as pálpebras, estão amarelas. Se o nariz do gato é claro, também ele fica amarelo. Em muitos casos, aparecem marcas nos olhos, geralmente na íris (a parte colorida do olho, em torno da pupila) muda de cor e algumas partes podem ficar castanha".

O meu gato tinha a PIF húmida e morreu na quinta-feira passada, dia 24 de Abril de 2014. 

Decidi escrever este post, não só para vos dizer que o meu gatinho não sobreviveu a esta doença horrível, mas também para alertar todos os donos de gatos que, tal como eu, desconheciam esta doença até ser tarde demais. Da pesquisa que fiz e pelo que a Veterinária me disse, os gatos podem ser portadores do coronavirus a vida inteira sem morrerem disso. O PIF ataca uma minoria dos gatos no mundo (entre 5-10%) e não se sabe bem o motivo ou causa de se tornar num vírus maligno de um momento para o outro. O meu gato sempre foi um gato activo e saudável, nunca teve problemas de saúde e teve o azar de ter esta doença fatal que não lhe deu qualquer hipótese de retaliação.

É usual que os donos confundam esta doença com uma gripe (o gato espirra, tem os olhos com água, não come), mas é uma doença muito ingrata porque quando detectada já é tarde demais, por muito cedo que o seja. Simplesmente quando é detectado PIF a um gato o dono fica a saber que muito em breve ele vai morrer. No caso do PIF seco há gatos que, com o devido tratamento, chegam a durar mais 1 ano. Mas no caso do PIF húmido não duram mais 15 dias (1 mês com muita sorte).

Depois do diagnóstico do meu gato, a Vet já lhe tinha extraído o líquido do tórax (no caso dele acumulou-se em cima e não no abdómen), o que o aliviou muito temporariamente. Trouxe-o de volta para casa com uma sonda no pescoço e alimentava-lhe uma comida especial de convalescença de 4 em 4 horas (parecia papa cerelac), através dessa sonda e aproveitava para lhe administrar a medicação. O tratamento durou 15 dias, sendo que na primeira semana notei melhorias, pois como não tinha liquido no tórax e estava a ser medicado com antibióticos e cortisona, o apetite voltou e até a ração comia (ração especial para gatos com problemas renais - o PIF também ataca os rins!). No entanto, passado pouco mais de uma semana comecei a notar que ele estava com a respiração mais acelerada e que já não procurava a ração. Liguei à Vet que me avisou logo que ele deveria estar com liquido no tórax outra vez e que começava a ficar aflito com dificuldade em respirar.

Vou-vos poupar a pormenores, mas nos últimos dias o gato tinha bastante dificuldade em respirar, tanta que mal conseguia andar - andava meia dúzia de passos e caía estendido no chão com a respiração ofegante - e tinha os olhos cada vez mais doentes. A visita ao Vet estava marcada para dia 24 e no meu íntimo sabia que seria a última visita dele, por isso não a quis adiantar (egoísmo meu, eu sei, mas ainda estava em completa negação!).

Até que o dia 24 chegou e depois do meu exame (que...by the way...correu MAL!) fui ter ao Vet que me disse logo que não havia mais nada a fazer. Que se podia repetir o tratamento de há 15 dias, mas que, provavelmente, ele não duraria mais do que 3 ou 4 dias e acabaria por morrer asfixiado ou que até podia morrer ali por causa da anestesia. Então tive de tomar a decisão de o eutanasiar, garantindo que, pelo menos, morria sem dor e com alguma dignidade. Foi horrível...nunca tinha passado por uma situação daquelas (não que com a prática se torne mais fácil, mas acho que a primeira experiência choca sempre mais) e tenho estado em completo luto desde então.

Há quem diga que é apenas um animal e que é normal morrerem mais cedo e destas doenças, mas para mim ele não era só um gato, era um membro da minha família, era o meu gatinho e eu sinto imensas saudades dele (até estou a chorar enquanto escrevo este post!). Para quem adora animais e se apega a eles de verdade, sabe e percebe o que estou a dizer. É dificil dizer adeus e luto é luto, quer seja por um familiar, por um amigo ou por um animal de estimação. Não dá para comparar, mas também não se deve relativizar a dor que se sente quando se perde um animal de estimação. No meu caso sempre pensei que ele fosse viver até mais tarde (pelo menos uns 16) e foi-me tirado com apenas 12 por esta doença horrível. É injusto!

A única coisa que ainda me conforta é saber que fiz tudo o que podia para que ele não sofresse e passasse os últimos dias da vida dele em conforto e com todo o amor do mundo...e assim foi! Já que não podia curá-lo (pois não havia cura) e também não havia nada que pudesse ter feito para evitar esta doença, basicamente estava de mãos atadas, totalmente impotente, pelo menos tratei dele com o maior carinho até ao final da sua vida.

Ainda choro um bocadinho todos os dias quando penso nele e no facto de já não ter o ter aos pés da minha cama para me fazer companhia, nem de lhe poder dar festinhas ou abraçá-lo, mas claro que ainda passou muito pouco tempo e daqui a uns meses eu sei que já estarei bem melhor. Tenho imensas saudades das patinhas cor-de-rosa dele e do pêlo branquinho da barriga, do facto de ele morder a minha mão a brincar e logo de seguida lambê-la para não me magoar, de tudo! Nunca vou esquecer este gato, até porque duvido que venha a ter outro gato tão especial como ele, mas a vida continua e há que lembrar dos bons momentos e de quando ele era saudável e, principalmente, do facto de ele ter sido um gatinho muito bem tratado e muito amado.

Para todos os que já perderam um animal de estimação (em particular um gato com PIF) e relacionam-se com o que estou a dizer...dêem-me as boas vindas ao clube!

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