You are more beautiful than you think

segunda-feira, 22 de abril de 2013


Dove Real Beauty Sketches

Vi este anúncio da Dove e fez-se luz na minha cabeça...nós somos os nossos piores críticos, não é verdade?

Fiquei a pensar e, apesar de toda a minha má língua, acho que a pessoa que mais critico é a mim própria. Critico-me fisicamente, intelectualmente, profissionalmente, emocionalmente e com muita frequência. Não me acho o ser humano mais horrendo e estúpido à face da Terra, mas não me acho suficientemente bonita e inteligente para os meus padrões de beleza e inteligência...se é que isso faz algum sentido. 

Mas olhando para este vídeo...faz-me questionar se a minha visão de mim própria não está deturpada pelo meu constante auto-criticismo...um bocado à semelhança daquelas pessoas que se olham ao espelho e se vêem obesas quando, na verdade, estão pele e osso. Não acredito que esteja nesse extremo, mas acredito que, por vezes, o meu diabinho da insegurança ganha a batalha contra o anjinho da coragem e do determinismo.

E não estou a falar apenas do aspecto físico...falo em todos os aspectos - físico e psicológico. Às vezes inibo-me de dizer certas coisas, ou de tentar  fazer outras, pelo simples facto de achar que não sou capaz ou que vou fazer figuras ridiculas ao pé de outros que sabem muito mais que eu.
No fundo, acabo por me auto-inferiorizar em relação aos outros, com receio de poder estar errada ou que me achem burra (o que, visto assim...é ridículo). Já o meu pai me alertava para essa minha tendência de me auto-inferiorizar e dizia que tudo dependia do meu esforço, pois as capacidades já lá estão e são muitas. Verdade ou não (os pais são sempre os nossos maiores fãs, logo totalmente parciais), sabe sempre bem ouvir alguém dizer isso de nós e dá-nos confiança para seguir em frente e tentar melhorar alguns aspectos.
Tenho de começar a ter menos receio de errar, porque, afinal, errar é humano e é assim que crescemos, em todos os aspectos. Right?

Ainda assim, é compreensível que não olhemos para nós próprios da mesma forma que os outros olham. Afinal, só nós é que nos conhecemos totalmente e vivemos com essa realidade constantemente. Logo, não há ninguém mais parcial que nós próprios no que toca a coisas relacionadas connosco...principalmente nas coisas menos boas, que acabam por ganhar terreno na nossa cabeça. Daí eu compreender aquelas mulheres do anúncio que, ao se descreverem, focavam os aspectos físicos que consideravam negativos ("tenho o queixo grande, o nariz grande, sou sardenta", etc), em detrimento daquilo que os outros acharam positivo e bonito ("tem os olhos azuis e brilhantes, tem um nariz fofo", etc). Eu revejo-me nelas.

Em retrospectiva, acho que de todas as vezes que me perguntaram o que gostava mais em mim ou o que gostava menos, a resposta à segunda pergunta foi muito mais rápida do que a resposta à primeira. Quando era adolescente acho que nem tinha nada de bom a dizer de mim própria, embora isso fosse fruto da idade e da falta de maturidade (é tudo um drama quando temos 14 anos lol). 

Agora que cresci e sou uma "senhoira!" (10 anos depois, lol) começo a olhar para mim de outra forma...a ver o que tenho de bom e a aceitar aquilo que acho que tenho de menos bom (e tentar mudar aquilo que considero mais grave...como o meu feitio - mas está difícil ). Porém, acredito na possibilidade de a minha imagem de mim própria não corresponder à realidade, ou pelo menos àquilo que os outros vêem em mim. Aquele "ditado" que se diz por aí que somos aquilo que os outros pensam de nós, apesar de não ser exactamente verdadeiro, acaba por ser o mais próximo da realidade. Exactamente porque, no que toca a nós próprios, somos aqueles que têm a visão mais deturpada (pelos vistos).
Claro que há excepções, e felizes daqueles que se olham com realismo e são felizes com o que vêem. 

Mas a partir de hoje, quando alguém me disser que sou bonita ou inteligente, mesmo que ache que pareço um lama ou um gorila, vou tentar acreditar (mesmo que pense que estão a mentir lol). Até porque tudo aquilo que vejo ao espelho quando acordo e me dá medo (OMG que olheiras horríveis...estás gordíssima...olha-me este cabelo, etc!), pelos vistos, a maioria das pessoas não repara, ou simplesmente não dá tanta importância quanto eu.

Talvez sejamos mais simpáticos e menos auto-críticos para os outros do que para nós. Eu pelo menos, analisando bem as coisas, sou assim. Sou capaz de elogiar um completo estranho com muito mais facilidade do que me elogio a mim própria...o que é estranho, não?

Não foi preciso este anúncio para pensar nestas coisas, e não pretendo com isto tornar este post mais deprimente ainda, mas acabei por me forçar a fazer uma introspecção e pensar em mim - o que é sempre difícil e tento evitar. Pior do que falar dos outros e não saber o que dizer, é termos de pensar em nós próprios e arranjar adjectivos que nos caracterizem. Mas tentei e apercebi-me que sou melhor do que aquilo que penso de mim própria...pelo menos de acordo com os que me rodeiam e amam dizem de mim.

É caso para dizer que tenho de aprender a valorizar-me mais, pois I`m more beautiful than I think! :)


2 comentários:

Inês disse...

adorei o anúncio :) está um espectáculo!

Anita disse...

É mesmo assim, tens que alterar o foco, que já está muito bem treinado para encontrar os pontos negativos, para passar a procurar o que tens de bom e a manter-se aí. :) ***

Proudly designed by Mlekoshi pixel perfect web designs