Sad reality...

terça-feira, 2 de abril de 2013


Infelizmente, nos últimos anos, o que se tem verificado, devido à crise económica e às medidas de austeridade deste Governo da tanga (ou de tanga?), é que muitos jovens são obrigados a abandonar os seus estudos porque, pura e simplesmente, não os conseguem pagar. O que é, no mínimo, triste e incompreensível numa sociedade do século XXI que, há mais de 50 anos, faz propaganda de um Estado Social que, na prática, não existe. 

Eu sempre tive a sorte de os meus pais me puderem pagar as propinas e tudo o que precisei para concluir a minha formação académica (que ainda continua no mestrado e pós-graduações), mas tenho amigos que não tiveram a mesma sorte e tiveram de se endividar aos 18 anos para poder, eventualmente, ter um futuro profissional melhor. E o que se vê mais agora é o apoio social a ser cada vez mais restringido. Não basta termos de pagar balúrdios em impostos e contribuições à segurança social que nunca chega. 

Hoje em dia, só tem apoio social para estudar quem também tem apoio para comer ou se vestir, ou seja, quem não tem mesmo dinheiro para nada. Se, por exemplo, numa família de 4 (pais e 2 filhos, ambos na universidade), um dos pais ganha 1000 e o outro ganha 500, já são "ricos" o suficiente para pagar os estudos aos filhos. Mas devem-se esquecer que não existem universidades (de jeito) em todo o país e há muita gente que se quer estudar tem de se mudar para Lisboa ou Coimbra, ou até para o Porto e acarretar com as despesas de manter, na prática, duas casas. O que, para um orçamento daquele género, é impossível. 

Ouvimos os reitores das universidades a dizer que as propinas não chegam para as despesas fixas da universidade...não sei se será bem verdade, mas de qualquer forma a solução não é cortar dos auxílios à educação. 
Para mim, uma das soluções passaria por uma política de obtenção de lucro das universidades públicas (porque são as que têm mais dificuldades), nomeadamente através da cedência do espaço/campus para eventos ou a organização de actividades extra-curriculares para pessoas de fora, etc. Ou seja, com tanta escola e universidade pública, com cantinas, salas e anfiteatros, ginásios e piscinas, porque não abrir tudo ao público (em horário pós-laboral e fins-de-semana, por ex,), e explorar economicamente esses espaços? Por exemplo, com aulas de pintura dadas por professores de artes (que estivessem naquela lista interminável de gente sem colocação), ou aulas de ginástica para idosos por prof. de educação física, ou aulas de linguas, etc. 
O cidadão comum que quisesse ter acesso a essas coisas, pagava e as instituições arrecadavam esse dinheiro para os fundos internos. Se é uma sugestão utópica e impraticável (ou não), não sei, mas parece-me bem melhor do que cortar nos apoios sociais e na educação daqueles que, provavelmente, vão trabalhar e pagar as reformas vindouras. 

A verdade é que, se não se investe na educação, vamo-nos tornar, cada vez mais, num país de mão-de-obra barata e pouco qualificada (a "China da Europa", como já vi em alguns artigos jornalísticos  e quem não tem qualificações, em regra, ganha mal, e contribui pouco para o Estado porque não pode contribuir mais. É uma bola de neve sem fim. 
Investir na educação é investir no futuro do país (clichés à parte). Não percebo porque é que este Governo que não vale um caroço de uma azeitona podre não percebe isso. Ah, talvez porque tanto o Primeiro-Ministro como alguns dos seus Ministros (Relvas...coff coff) não precisaram de estudar para chegar onde chegaram e agora dão o belo exemplo aos jovens portugueses...!Enfim...tristeza.

Com este contexto social deprimente, é normal que haja quem se questione se, actualmente, valerá a pena investir na formação académica, uma vez que o desemprego no nosso país (e na Europa em geral) é uma realidade galopante. 

Eu acho que o investimento em nós, na nossa formação, no conhecimento em geral, é sempre uma mais valia. Não conheço ninguém que se tenha arrependido de ter tirado este ou aquele curso, ou de ter aprendido duas ou três línguas estrangeiras, de ter feito esta ou aquela pós-graduação. 

Há sempre escolhas boas e outras menos boas, mas isso depende dos objectivos pessoais de cada um. Eu tenho formação jurídica, por isso tirar uma pós-graduação em literatura luso-brasileira, por muito interessante que seja (e eu ia adorar), na minha área não me ia valer um carapau.

O problema actual, aliado à falta de dinheiro, é que muita gente faz escolhas erradas e depois não lhes sobra dinheiro para fazer as certas. Sem querer julgar ou ofender ninguém, é normal que alguém licenciado em Ciências Políticas tenha o currículo mais limitado (e com menos hipóteses de arranjar emprego) em relação a alguém que tirou Direito ou Economia. Pois quem tirou um destes dois últimos cursos pode fazer o mesmo que os que tiraram o primeiro, mas o contrário já não se verifica.

Em suma, o conselho que deixo, para quem ler isto e estiver a pensar entrar na Universidade ou voltar a estudar (Mestrado, Pós-Graduação, etc), é que:

1- Tentem entrar na Universidade Pública: eu sei que, por vezes, as médias são limitativas, mas vale a pena. Eu sou apologista do ensino público "all the way". As Universidades Públicas são boas, o ensino tem qualidade e prestígio e sai muito mais barato do que qualquer privada (isso é claro como água!). Para quem não consegue entrar na pública, escolha bem a universidade privada para onde quer ir e não, apenas, baseado no factor económico (o que tem a propina mais baixa, etc.), porque no final, o que interessa é o prestigio e a consistência da formação, e não o seu valor pecuniário.

2- Escolham bem o curso: sonhos à parte, mesmo que eu adorasse ir para Antropologista (que não adoraria, é só um exemplo), o mais provável é que acabasse no desemprego, e não como a Bones da série da treta com o mesmo nome. Em vez de escolherem qualquer coisa muito limitativa como Ciências da Cultura, ou Psicologia para empresas, ou etc, escolham algo mais abrangente e depois da formação básica, escolham uma especialização, mas na fase do mestrado ou numa pós-graduação. Abram portas e sejam flexíveis, de modo a se adaptarem ao mercado de trabalho e não ficarem limitados pelas escolhas académicas que fizeram.

3- Façam algo na área que gostam: independentemente do meu conselho sobre a escolha do curso, o essencial é que realmente gostem daquilo que escolheram. Não se conformem com o curso que tinha a média mais baixa e que deu para entrar. Não, isso é péssimo. Mais vale ficar para trás um ano e melhorar notas e ir para o curso que realmente se quer, do que andar a gastar dinheiro em propinas e pestanas num curso que não nos aquece nem arrefece. Todos os cursos custam a tirar (uns mais do que outros, claro), mas sem aquele je-ne-sais-quoi que nos faz ir para aquele curso e não para outro; sem aquele bichinho que nos entusiasma para uma certa área, ou sem um objectivo, tudo se torna, muito facilmente, enfadonho e agonizante.

Em suma, não deixem de estudar (nunca!), invistam em vocês, mas façam escolhas inteligentes e acertadas!

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