Porque temos poucas mulheres a liderar?

domingo, 31 de março de 2013

Eu sou fã, já há algum tempo, dos TEDTalks. O TED promove a troca de ideias em áreas tão variadas como a Ciência, o Design e o Entretenimento, entre outras. 

Esta palestra é da Sheryl Sandberg, COO (Chief Operating Officer) do Facebook e é sobre mulheres trabalhadoras, como essas mulheres encaram a sua vida profissional, os desafios e impasses que surgem e, mais importante, como lidam com eles. E sempre com a pergunta de fundo: porque é que temos poucas mulheres a liderar? ou porque é que temos poucas mulheres em lugares de topo nas empresas? 

Vejam que vale a pena...eu como sou boazinha, até arranjei com legendas em português! uhuh :)




Depois de ter visto este vídeo, e aposto que à semelhança de todas as outras mulheres que o fizeram antes de mim, questionei-me se a Sheryl teria mesmo razão no que disse. Aquele exemplo da casa-de-banho feminina pareceu-me um quanto ridícula e exagerada, but I got the point.

Antes de começar a escrever este post, também me lembrei do homem me chamar feminista quando inicio este tipo de conversa e que tendo a "cegar" no que toca aos direitos das mulheres (temos sempre esta discussão a propósito da justificação da existência do dia mundial da Mulher).

Eu não me considero uma feminista no sentido próprio do termo. Acredito na igualdade dos sexos e como me ensinaram, o Princípio da Igualdade exige que se trate de forma igual o que é igual e de forma desigual o que é desigual. Essa é a verdadeira natureza da Igualdade. 

Ora, as mulheres NÃO são iguais aos homens, nem fisicamente, nem intelectual ou emocionalmente. Não quero, com isto, dizer, que há um sexo superior ao outro, ou que um é mais inteligente que o outro, etc. A inteligência não é algo unitário, existem vários tipos de inteligência e várias formas de o demonstrar. 

Talvez seja verdade que as mulheres, em geral, são mais emotivas e a sua inteligência é motivada pelas emoções que sentem na altura. Não são, porém, seres irracionais e dominadas pelas emoções. Já os homens, talvez, são seres mais objectivos e mais auto-confiantes, o que faz toda a diferença num ambiente profissional. Ainda que essa auto-confiança surja, em parte, do facto de o mundo estar feito à medida dos homens e não das mulheres. É verdade que é mais fácil ser homem neste mundo do que ser mulher. Isso é um facto universal.

Também pode ter a ver com o facto de dizerem que os homens só se conseguem dedicar a uma única tarefa de cada vez, enquanto as mulheres são multi-tarefa. Talvez por isso é que as mulheres, quando executam determinada acção, pensam em várias dimensões. Ou seja, como a Sheryl disse, e no que toca à carreira profissional, as mulheres (não todas, obviamente) tendem a tomar decisões com base em premissas futuras, de modo a abarcar todas as situações fácticas possíveis. Daí a ideia da mulher que ainda não casou já pensar que não será boa ideia candidatar-se à vaga da sua empresa no outro lado no mundo, não vá, entretanto, arranjar marido e querer casar e ter filhos.

Eu contra mim falo, acho que é algo inato às mulheres: a preocupação com o futuro. Eu com 20 e poucos anos, não casada e sem filhos, não consigo evitar de pensar no meu futuro e, claro, imagino inúmeras situações hipotéticas em que terei de conciliar a vida profissional com a vida pessoal. 

Será que são estas preocupações, infundadas ou não, que retraem as mulheres a ascender a cargos de topo? a dar o salto profissional que os homens não hesitam em dar? Talvez.

Sempre me pareceu, e posso estar errada, que as mulheres pensam mais a longo prazo que os homens. Os homens tendem a viver mais o momento e evitam preocupações com o futuro ou com definição de planos. As repercussões que este tipo de pensamento pode vir a ter na vida profissional é relevante, pois os homens vivem o momento e agarram a oportunidade que lhes aparece, quer seja aqui ou noutro lado do mundo, enquanto as mulheres ficam sempre com o pé atrás. 

Imagine-se, agora, mulheres solteiras e sem filhos (e sem namorado), totalmente "livres" para irem trabalhar para outro país e fazer a sua vida. No entanto, nem todas o decidem fazer - pois não querem deixar a mãe, ou o pai, ou os amigos, etc. Os homens mais facilmente se "desprendem" destas ligações e agarram a oportunidade profissional (e socialmente é "normal" que assim seja).
E se já é assim com uma mulher solteira, mais difícil ainda será para uma com namorado ou marido e já nem vamos falar das com filhos.

O pior é que, bem vistas as coisas, estamos todas erradas. E a Sheryl tem razão. Se somos capazes de ir atrás do nosso marido que, por motivos profissionais, vai emigrar para a Alemanha ou para o Brasil, também devemos esperar que ele fará o mesmo por nós, caso seja necessário.

Assim sendo, não devemos ter receio de arriscar ou de tentar ir mais longe nas nossas carreiras, com medo que, num futuro que pode nunca se vir a concretizar, tenhamos que tomar decisões difíceis. 
Isso vale também para quando estamos grávidas ou pensamos engravidar. De facto, não devemos deixar de dar o nosso máximo na nossa profissão ou tentar conseguir aquela promoção só porque planeamos ser mães e, por isso, teremos de aguentar um ser dentro de nós durante 9 meses (com todas as tretas biológicas que isso acarreta), mais não sei quantos meses de licença de paternidade, etc etc.

É universal que, em caso de um dos pais ter de ficar em casa, em regra é a mulher que fica. Só no meu universo social conheço uns 3 ou 4 casos de mulheres que prescindiram da carreira pelos filhos. Não condeno, nem julgo a decisão  mas é um facto social. Se calhar se fosse o contrário (o pai a ficar em casa), já não seria tão bem aceite...nem pela família, nem pelos amigos, nem pela sociedade em geral. O que é totalmente ridículo, mas por vezes a pressão social é mais forte que qualquer ideologia pessoal.

De facto, aquela ideia bíblica de que o homem é que deve sustentar a casa e a mulher é que deve ficar a cuidar do lar e tratar dos filhos não é uma realidade tão pré-histórica como pensamos. 
Ainda existem muitas mulheres que optam por ficar em casa, ao invés de prosseguirem com as suas carreiras. Mas porquê? Será porque foram educadas assim? Será com base nos ideais religiosos? Será por opção mesmo? Ou será, quiçá, por receio de arriscar conciliar tudo?

No fundo, tudo depende das circunstâncias. Nenhuma história é igual à outra e não podemos meter tudo no mesmo saco. 

Mas o denominador comum é que há mais mulheres a retraírem-se na vida profissional que homens. E o mistério é saber porquê? Talvez não seja nenhum mistério afinal.
Será por causa da família ou da ideia de constituir família? 
Por causa da falta de oportunidades? Talvez - é certo e sabido, infelizmente, que é muito mais difícil para uma mulher progredir na carreira do que um homem.

Mas não será que temos poucas mulheres a liderar porque elas próprias não têm a auto-confiança para avançar e arriscar? Para "pôr o braço no ar", para se sentarem à mesa na reunião, para negociar salários e fazer exigências? Se calhar assumimos a derrota antes de partir para a frente de batalha, ainda que inconscientemente.

Agora, ninguém me venha dizer que os homens  não se acham melhores que as mulheres no que toca à execução de cargos de topo ou em lideranças políticas, porque é mentira.
Além disso, é-lhes muito mais confortável que as mulheres se inibam de determinadas opções profissionais.

Também existe, ainda, muito preconceito em relação a mulheres na política ou em cargos de chefia. Basta ouvir o povão dizer "Era o que mais nos faltava ter uma mulher como Presidente da República ou Primeira-Ministra, aí é que o país ia ao fundo num instante" ou "Uma mulher a pilotar aviões? Eu é que não entro nesse avião!" e labreguices do género.
Essa ideia pré-concebida de que as mulheres são piores nestes cargos que os homens ofende-me profundamente. 

Mas a verdade é que, não só é uma realidade, como também é uma realidade que se vai mantendo por culpa nossa (das mulheres em geral), porque não acreditamos em nós, nem nas nossas capacidades e acabamos por desistir antes de tentar (e contra mim falo, novamente).

Por isso, doravante, e pelas minhas futuras filhas (que irão nascer algures em 2040 com o andar da economia portuguesa), vou dar 120% na minha carreira, vou confiar mais na minha inteligência e nas minhas capacidades (que são muitas!), não só porque pensar nisto tudo irritou-me profundamente, mas também porque, infelizmente, para uma mulher sobressair no emprego, é preciso partir a escala.

Realmente somos sortudas porque tivemos acesso a tudo aquilo que outras mulheres como nós não tiveram há 50 anos atrás, por isso não há nada a temer. We can do it!



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